segunda-feira, 10 de junho de 2013

RESENHA: O PREÇO DO AMANHÃ


Nota: 8,0

Lançado em 2011, “O Preço do Amanhã” (título original In Time) estrelado por Justin Timberlake e Amanda Seyfried se passa no futuro, num mundo em que a moeda financeira é o tempo e não mais dólares, reais ou euros. Cada indivíduo nasce com um marcador inserido em seu pulso que dispara quando cada um completa 25 anos. A partir desse momento a contagem é regressiva, de modo que os ricos se mantém e chegam a viver centenas de anos, enquanto os pobres trabalham a troco de remunerações miseráveis sempre recebendo quantias mínimas de tempo para se manterem vivos ou ainda são largados à marginalidade, roubando ou mendigando por tempo. Os pagamentos são feitos através de um aparelho que coleta o tempo, mas também podem ser transferidos de uma pessoa para outra, basta segurar o pulso de outrem que a transferência é feita.

Will Salas (Timberlake) é um membro da classe operária que conta com não mais que um dia para sobreviver, porém ele se mostra muito incomodado com o sistema que o mundo se encontra, com tamanhas desigualdades de classes e explorações contínuas dos mais pobres.

Uma das muitas cenas em que os protagonistas aparecem correndo
A história se desenvolve a partir de um encontro de Will com Henry Hamilton (Matthew Bommer) num bar, onde o mesmo é tratado como rei, rodeado por mulheres e pagando drinks a todos. Henry possui mais de um século, o que o torna milionário numa sociedade em que o tempo é a moeda. Diante de tanta ostentação, entra em cena os “Minute Men”, que formam um grupo de guardiões do tempo (algo equivalente à polícia no nosso mundo), um dos membros desse grupo é corrupto e quer tomar o tempo de Henry, porém num ato de coragem Will entra em cena e salva o rapaz.

Durante a fuga, após despistar os minute, Salas invade um galpão para se refugiarem durante a noite. Ao abordar Henry sobre o porque de tanta ostentação seguida de passividade diante dos policiais, ele se mostra deprimido, questionando a posse de tanto tempo, diante dos mais de 100 anos que ele já tinha. Ele queria morrer. Ao despertar Will nota que possui todo o tempo de Henry consigo e vê o mesmo pela janela na mureta de uma ponte, prestes a se jogar. O tempo de Henry se esgota e ele cai da ponte, Will não chega a tempo de salvá-lo.

Com a morte de sua mãe, causada por um aumento na tarifa de ônibus – ela morre nos braços do filho que corria em seu encontro – Will mesmo com todo tempo que possui nada pôde fazer para ajuda-la, pois o tempo dela se esgotou pouco antes deles se encontrarem. Inconformado e procurado pelos minute men, Salas resolve viajar para Greenwich, uma metrópole, povoada pela alta classe.

Após longa viagem em que as passagens são cobradas em barreiras como pedágios, Will se hospeda num hotel caríssimo e procura um cassino. Lá aposta com Phillippe Weis de quem ganha um valor alto, num jogo de muito risco em que lhe sobram poucos segundos na mesa. Will flerta com a filha de Philippe, Sylvia Weis (Amanda) que o convida para uma festa na mansão da família, com o pretexto de seu pai recuperar o tempo perdido em novas apostas.

Durante a festa na mansão, Will é autuado pelos minute men e foge sequestrando Sylvia. Ele resolve cobrar resgate do pai de Sylvia, que se recusa a pagar. Após muita hesitação e revolta de Sylvia eles passam a ter um affair enquanto fogem.

A trama se desenrola até Will e Sylvia bolarem um plano para roubarem um milhão de anos de seu pai, para isso eles invadem a empresa dele e roubam seu cofre, distribuindo o tempo na periferia onde Will mora.


Considerações Finais

Notam-se vários paralelos entre o mundo em que a trama se desenrola e o mundo real, em que vivemos. A loucura em busca de dinheiro o tempo todo, a correria pra todo lado e, claro, as enormes desigualdades sociais, onde os ricos vivem centenas de anos e os pobres têm de lutar pra sobreviver mais um dia.

O elenco é bom, mesmo não achando Justin Timberlake tão talentoso como ator como dizem, ele dá conta do recado, cercado por atuações competentes de Amanda, Cillian Murphy e Alex Petyfer.

Diante do marasmo do cinema atual, que ou lança blockbusters que se consolidam pelo visual repleto de explosões e feitos impossíveis; ou lança filmes conceituais sem pé nem cabeça; é muito bom ver um enredo criativo e original como o de In Time, pois além de entreter nos desperta a pensar sobre questões mundanas que afligem nossa sociedade.



David Oaski

4 comentários:

  1. Gostei da reflexão o filme me fez lembrar: "O admirável mundo novo" (escrito em 1932), sim Karl Marx tem tudo a ver!

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  2. Gostei da reflexão o filme me fez lembrar: "O admirável mundo novo" (escrito em 1932), sim Karl Marx tem tudo a ver!

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