quinta-feira, 29 de outubro de 2015

QUANDO OS MONSTROS DIZEM ADEUS (OU A DESPEDIDA DE STEVEN GERRARD E XAVI HERNANDEZ)


 Poucos jogadores de futebol demonstram amor a um clube nos dias atuais. Cansamos de ver jogadores jurando amor eterno a determinada camisa, mas pedindo milhões para renovarem contratos (um salve ao Robinho e ao Paolo Guerrero).

Caras como Steven Gerrard, do Liverpool e Xavi Hernandez, do Barcelona são raros exemplos de jogadores que construíram suas histórias, se tornaram referências e ídolos nos clubes de sua formação.

Além de apaixonados pelos times, ambos são craques e estão entre os melhores jogadores dessa geração surgida na metade final dos anos 90.
Xavi em ação pelo Barça

Gerrard ao longo de sua carreira atuou em todas as funções do meio campo: primeiro e segundo volante, meia aberto ou armador centralizado. Com sua técnica refinada se mostrou mestre nos passes, lançamentos e chutes de média e longa distância, além é claro, da sua liderança natural dentro e fora do campo.

Já Xavi, apesar de ter participado das conquistas do Barça com Ronaldinho Gaúcho, Samuel Eto’o e cia, sofreu muito com lesões na época, vindo a se firmar como maestro alguns anos depois num dos melhores times de todos os tempos ao lado de Lionel Messi e Andrés Iniesta. Foi também um dos principais jogadores da seleção espanhola campeã europeia em 2008 e mundial em 2010.

"Steve G." símbolo dos Reds
Esses dois monstros sagrados do futebol mundial deixaram seus times na última janela de transferências europeias. O meio campista inglês vai para a liga norte americana e o espanhol vai para o Qatar, pondo fim às trajetórias brilhantes de ambos pelos Reds e Barça e deixando as ligas inglesa, espanhola e a champions league um pouco mais tristes.

Caras como esses estão em extinção num futebol que cada vez mais cria superstars multimilionários que desconhecem as histórias e raízes dos clubes que defendem. Temos muitos moleques e poucos homens defendendo o esporte que tanto amamos. É triste não ver ninguém da nova geração com esse sentimento genuíno por seus clubes, parece que Rogério Ceni, Francesco Totti e Danielle De Rossi são os últimos dos moicanos, fazendo um parentesi para o futebol argentino, pois é recorrente jogadores experientes voltarem aos seus clubes de origem reduzindo drasticamente seus salários, nomes como Banega, Diego Milito, Maxi Rodrigues e Heinze não me deixam mentir.

Por mais que o futebol esteja gradativamente se tornando um business de entretenimento, caras como Steven Gerrard, Xavi e os argentinos nos fazem lembrar daquele esporte que mexia com nosso coração quando éramos crianças. E conforme o fim de carreira deles se aproxima, nos fazem lembrar de um esporte que aos poucos deixa de existir.


David Oaski








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